A interacção entre matérias e conteúdos, no conjunto de trabalhos apresentados nesta exposição, deseja estabelecer novas perspectivas sobre a obra de José Loureiro. Ao desenvolver-se em duas plataformas complementares, a obra deste artista é representada, por um lado, através da exposição e do conjunto de peças seleccionadas para o efeito e, por outro lado, através do catálogo, documento que sintetiza um percurso de forma clara, fornecendo um olhar mais alargado sobre as suas opções e reformulações, no contexto de um período de tempo mais extenso.
Em opção a uma abordagem de carácter narrativo e retrospectivo, consideramos interessante a possibilidade de se olhar para esta selecção como uma manifestação singular e hodierna. A obra de José Loureiro é um objecto que se presta a este tipo de aproximação, pela qualidade elementar dos aspectos formais e visuais que a compõem e por uma depuração geral na materialização da ideia.
O conjunto de peças escolhidas surge como uma amostra possível, de entre muitas outras; uma escolha aberta, estruturada para um local, num momento presente, circunscrita a duas formas de expressão plástica – a pintura e o desenho – as quais se orientam através de um modelo de simplificação que, ao amplificar a obra enquanto representação de uma fracção de realidade individual, procura minimizar a sua componente sequencial, histórica e colectiva, depositando no documento editado, a função agregadora de relevar um trajecto que se impõe no tempo de forma mais definitiva, à medida que reinterpreta as propostas da exposição no enquadramento de um todo.
No terreno das artes plásticas encontram-se muitos modelos disponíveis de difusão, entre várias possibilidades capazes de potencializar diferentes fontes de interesse. No Centro Cultural de Vila Flor, optamos por experimentar formas de organização e gestão de oportunidades concebendo projectos que se direccionam para a individualidade do artista no contexto das actividades que com ele desenvolvemos. Ao incrementarmos processos de deslocalização, procuramos levar as nossas propostas a territórios ainda pouco explorados, mesmo quando estas se encontram sujeitas à inércia da divulgação crítica e a uma atitude tantas vezes omissa por parte da comunicação social.
As alternativas aos locais inseridos num circuito previsível, apontam cada vez mais para geografias que tendem a aumentar os actos participativos do público e a promover a arte contemporânea fora dos grandes centros urbanos. Ao associarmos a este tipo de acontecimento uma publicação que contém uma amostra relevante de documentação artística, alicerçada numa preocupação de editar um catálogo que pretende marcar o tempo do Centro Cultural de Vila Flor e fazer reflectir sobre o importante papel que este tipo de acção pode possuir no contexto da arte contemporânea em Portugal, esperamos proporcionar ao meio artístico e aos artistas um valioso contributo.
Existem condições para se estabelecerem meios de exploração que permitam ao artista ser ele mesmo a realizar o seu próprio processo de apresentação e a empreender sozinho essa relação de compromisso detectada entre a obra e o autor. Esta oportunidade abre outros tipos de ligação através do processo de exposição e gera novas potencialidades na recepção da obra por parte do público; promove-se a circulação e desenvolvem-se outros níveis de contacto, aumentando o leque de opções na variedade dos olhares, ao mesmo tempo que se incentiva um conjunto de novas questões reveladas como elementos essenciais de sobrevivência e de confirmação de um percurso. |